A escola não tem de responder a todas as vertentes educativas, a escola forma pessoas e direciona a maior parte do seu currículo para a formação profissional. Assim, outras vertentes do conceito educativo, mais direcionado para o indivíduo autónomo e social, ficam menos exploradas.
Embora se coloquem imensos saberes à controversa disciplina de Cidadania, não há tempo para explorar todo o referencial, muito menos com a profundidade que seria necessária. Mas, se assim não for e, se em casa, as famílias não procurarem, o melhor que sabem e podem, colmatar esta dificuldade, corremos o risco de preparar excelentes pessoas para uma função profissional, mas com dificuldade em compreender o mundo que a rodeia na sua plenitude, sem capacidades criativas, críticas e reflexivas, sem opiniões políticas ou sociais.
Na escola não se aprofundam temas como:
- Gestão financeira: quando o jovem acaba o secundário, aos 18 anos ou próximo, não lhes ensinaram praticamente nada sobre poupanças, empréstimos bancários, IRS, impostos, contas bancárias, etc…
- Política e democracia: com 18 anos já podem votar, mas poucos sabem distinguir os diferentes Partidos políticos; a importância de uma democracia; nem têm clara noção sobre os seus direitos e deveres…
- Sexualidade: o tema mais controverso de toda a escola… com uma excelente legislação e uma raridade na prática, pouco se explora sobre conceitos como igualdade de género, respeito pela diferença, autoconhecimento, amor, relacionamentos, etc…
- Perigos da internet: embora seja um trabalho constante da Polícia da Escola Segura, é difícil chegar a todos os estudantes e famílias, sendo que a maioria se sente completamente informado sobre o assunto e convencido que só acontece aos outros, ou seja, ficam muito longe da realidade atual e com poucas ferramentas de defesa…
- Potencializar as competências: muitos alunos demonstram capacidades e competências distantes dos saberes formais que se valorizam nas diferentes disciplinas, o que leva a que ninguém valorize tal saber. Leva a que os alunos também as desvalorizem, ou sintam vergonha desses reconhecimentos, sem perceber que podem ser potencializadas para contribuírem para a concretização do indivíduo… Porque mais importante do que descobrir a profissão é preciso descobrir a Vocação.
- A cuidar de nós e do ambiente: procura-se falar tanto sobre a saúde mental, mas não se educa para isso, portanto será mais difícil este sensibilizar mais tarde, em adulto. Teoriza-se tanto sobre o cuidado com o meio ambiente, mas na prática existem poucos momentos para ensinar, discutir, agir…
Sem educação não se mudam mentalidades, tenho a certeza disso!


Tudo tem mudado, no ensino pouco ou nada mudou. Se podem votar aos 18 anos, alguém os tem de preparar, para essa responsabilidade, e não serão certamente os pais.
Na escola tem de se falar do mundo que nos rodeia, tem de se lhes perguntar o que pensam e tentar formar cidadãos responsáveis.
Beijinhos.
Exatamente. O pouco que a escola oferece, neste momento, é a disciplina de Cidadania… no entanto, até esta disciplina parece perder lugar e importância no ensino…. até por vontade de algumas famílias….
Vale a pena refletir sobre isto!!!
Obrigada pelo comentário.
Beijinhos!