‘Tenho um amigo homossexual’ – Quem conversa sobre isto?

emoções

Diálogo com um/a jovem de secundário:

«Eu: _ Por vezes escolhemos os nossos amigos de acordo com o que a sociedade pensa, ou temos vergonha de ser amigo de alguém…

Estudante: _ Eu não me importo… o meu melhor amigo é homossexual e é o meu melhor amigo… não vou deixar de ser por causa disso…

Eu: _ Mas.. se calhar tens amigos que não são assim, como tu!?

Estudante: _ Tenho.. Há sempre quem critique e goze! Mas eu acho errado…»

 

Sei que este tema sobre o qual hoje escrevo, não é fácil…de escrever… de o deixar ao leitor… de propor reflexão!!! Vou escrever sobre a homossexualidade e a forma como se promove uma educação para a inclusão quando se fala sobre este tema…

Hoje o casamento homossexual é legal em Portugal e em vários países… hoje existem crianças nas escola que podem ter, por família, dois pais ou duas mães, hoje devem-se educar crianças e jovens para esta aceitação e convivência as crianças de hoje serão os adultos de amanhã… e devem: compreender-se na sua sexualidade, respeitar as opções sexuais de cada um, condenar atitudes homofóbicas…

Por várias vezes já conversei com crianças e jovens sobre este assunto, assumi sempre uma postura séria e pedagógica sempre que me apresentaram o tema, ou colocaram questões… e posso referir que esta forma de abordar o assunto desperta a curiosidade dos estudantes, uma curiosidade também séria e sincera, de quem realmente percebe que é um assunto do qual devem perceber e refletir.

Na minha opinião, de acordo com a idade de cada estudante, todos devem ser (in)formados sobre sexualidade, a heterossexualidade, a homossexualidade, a transexualidade…… ensinar, esclarecer, orientar, debater… pode e deve fazer-se sempre que a oportunidade surja. Por tal opinião questiono: onde? Quando? Com quem? Serão os pais os principais educadores para tal tema? Será na escola que tais conversas se devam ter, entre pares e/ou professores? Toda a sociedade deverá apoiar esta educação inclusiva?

 

\"Resultado(Imagem retirada da internet)

30 comentários em “‘Tenho um amigo homossexual’ – Quem conversa sobre isto?”

  1. Gostei muito do teu post… e sim, toda a sociedade deve apoiar esta educação inclusiva, toda mesmo.
    Mas acho que primeiro deverá começar em casa, com os pais, depois deverá “estender-se” à escola.
    Mas sem dúvida que sim, deve ser tema de conversa, e partilha.

    Um beijinho

  2. Aproveito e deixo a sugestão do Projecto Educação LGBTI da rede ex aequo do qual já fui oradora. Resumindo: oradores deste projecto (normalmente jovens LGBTIQ e todos com formação na associação), vão às escolas para sessões de esclarecimento dinâmicas a alunos e docentes (através de debates ou actividades mais participativas – é bem divertido, informativo e ninguém apanha uma seca porque não é um “sermão”).

    Respondendo ao post: considero que a responsabilidade deve ser de toda a gente que esteja habilitada para tal e, para mim, a escola tem um papel fundamental nisso. Acho que uma educação caseira servirá para outros propósitos – no que toca a este tipo de assuntos, não se pode esperar que pais ou familiares tenham todos a mesma informação e sensibilidade para lidar com isto. A escola, enquanto veículo formal educacional, devia ter meios para o fazer. E nem sempre tem (porque o governo negligencia por completo a educação que não seja a das letras e a das matemáticas).

    (neste sentido e neste caso específico, e por mais boa vontade e outra abertura de mente que normalmente se vê em profissionais de educação, nem sempre têm a informação completa ou totalmente correcta sobre o assunto e eu aí aconselho a pedirem ajuda ao Projecto Educação da rede ex aequo. E no que toca a outros assuntos sérios e importantes que não são obrigatoriamente tratados no plano curricular, também creio que é responsabilidade – sempre que possível – do núcleo escolar pedir ajuda a entidades e associações cujo trabalho seja na área que se quer tratar. Conseguem-se maravilhas na educação de crianças e jovens com este tipo de dinâmica! 🙂 )

    Fora isto, todo e qualquer momento que sirva para relativizar, informar e desconstruir, já faz a diferença. Acredita. Falo-te como voluntária e acima de tudo como jovem LGBTI. Esses diálogos, mesmo que o sejam em 4 minutos no intervalo entre aulas, são importantes de acontecerem sempre que a oportunidade surja, como dizes. E obrigada por fazeres isso. 🙂

    Aqui podes ler mais sobre o Projecto Educação:
    https://www.rea.pt/projecto-educacao/

    (já agora: não há custos associados. Basta contactar a direcção – creio que o e-mail ainda é: geral@rea.pt a pedir uma sessão em x escola ou estabelecimento educacional)

    Abraço! 🙂

  3. Claro que deve estender-se a toda a sociedade.
    Mas estará a sociedade(toda) educada para poder educar as crianças e adolescentes?…
    Na verdade, a escola tem muitas oportunidades para o fazer. Além de os programas sempre terem abordagem sobre a vida, os afectos, a reprodução, também há a diversidade de famílias… Será uma boa altura para serem (in)formados.
    Ou então, não. Deveria ser em casa, porque lidar com uma turma é mais difícil do que em família…
    Também, mais importante do que o local onde deve ser feito, é o modo como é feito.

  4. Ainda há muito caminho a percorrer antes das mentalidades mudarem.
    Sei de uma situação idêntica, embora não tenha a ver com homossexualidade, tem a ver com um menino diferente. O filho de uma amiga minha, quando andava na escola C+S tinha um colega com N.E.E. e o outro, por vezes, tentava meter conversa com ele. Um dia, o miúdo comentou com a mãe :
    – O Iúri, às vezes, vem falar comigo, mas eu ignoro-o porque tenho que pensar na minha reputação.

  5. Também me parece que compete a toda a sociedade, a família e a escola têm, efetivamente, um papel de extrema importância no que respeita aos valores e ao esclarecimento de dúvidas!!!
    Obrigada pela partilha!!!

  6. Excelente exemplo!!! É verdade, tudo o que se considera diferente pode ser excluído, ou considerado exótico, nada disso faz sentido numa sociedade de respeito e de solidariedade!!!
    Aqui a educação tem um peso bastante relevante!!

  7. Olá , cabe a todos nós , família , amigos , núcleo social, escola .
    É um assunto que ainda é considerado tabu , e cabe a todos nós alterar essa postura .

    Cabe a nós abrir , ou tentar pelo menos , as mentalidades retrogradas e xenófobas que ainda existem (infelizmente) .

    Beijinhos

  8. Os pais devem falar com os filhos sobre a sexualidade, homosexualidade,… e a escola também devia falar. Todos devem estar bem esclarecidos nestes assuntos para que haja uma abertura maior e mudança de mentalidades.

  9. Gostei imenso deste post e achei-o bastante pertinente.
    Acho que este é um assunto que deve ser abordado em casa, é muito importante que os pais e familiares eduquem as crianças para a compreensão, aceitação e respeito pelos outros.
    Mas claro que as escolas, e a sociedade em geral, também deve fazer parte desta educação. Eu pelo menos acredito que seja muito importante 🙂

  10. Eu concordo…. aprender as mais variadas disciplinas é algo extremamente importante para o ser humano, mas aprender a respeitar é também fundamental na educação, seja em casa, na escola ou em qualquer lugar da sociedade!!!
    Obrigada pela partilha!!!

  11. Lembrei-me de outra situação.
    Uma psicóloga tinha uma filha com um Q.I. baixo. A menina estava no limiar da deficiência, mas fisicamente não se notava.
    Acontece que a criança era muito amiga de uma menina com Trissomia 21. Então não é que a mãe, uma psicóloga, não queria que a filha fosse amiga da menina com Trissomia 21 para não rotularem a filha como “deficiente” !?
    Eu no caso dela, estaria mais preocupada em arranjar formas de a filha se desenvolver, em vez de estar preocupada com rótulos.

  12. Concordo, os adultos têm de deixar de lado esse tabu, pode e deve-se dialogar-se com uma criança sobre sexualidade…. até porque, muitas pessoas, confundem dois conceitos diferentes: sexo e sexualidade…

  13. Tudo o que é em demasia, torna—se prejudicial.
    Falar de homossexualidade, racismo, xenofobia, feminismo, educação sexual, etc., ou seja, teimar na protecção do que, já por si é moralmente obrigatório ser protegido, torna os problemas ainda mais agudos, pois se cria por um lado alguma compreensão, do outro, do lado minoritário, aguça o ódio à intolerância de alguns.
    Creio, que ensinar, ou antes, educar num espírito de tolerância ao minoritário, será q. b.

  14. Tudo na vida deve ser q.b.
    Se as famílias tiverem por hábito conversar sobre situações diárias, certamente, assuntos deste género aparecerão com naturalidade… e com naturalidade devem ser dialogados…

  15. Este assunto é sério, mas não creio que seja em relação aos jovens, mas sim em relação aos mais velhos, esses sim cheios de preconceitos. Pelo que assisti com o meu filho e em relação aos amigos, encaram a homossexualidade com uma normalidade que já carece de discussão. Aproveito para dar os parabéns pelo premio dos blogs e desejar uma boas festas. Beijinhos

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