Diálogo entre mim e um/a estudante de 1º ciclo:
«Eu: _ tens aulas com quem?
Estudante: _Com a minha mãe.
Eu_ E não andas na escola?
Estudante: _ Não, eu vivo no circo,….»
Existem, em Portugal e noutros países, encarregados de educação que optam por concretizar um ensino individualizado à sua criança, optando por realizar o ensino escolar em casa, ou seja, na modalidade de Ensino Doméstico salvaguardado, nos termos da alínea a) do nº 4 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 553/80, de 21 de Novembro, que aprova o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo – “aquele que é lecionado no domicílio do aluno, por um familiar ou por pessoa que com ele habite”.
«Os encarregados de educação que manifestam a intenção de integrar os seus filhos na modalidade de Ensino Doméstico estão a proceder de acordo com os direitos que lhe são conferidos, nomeadamente o da escolha de uma modalidade de ensino.» (in: educacaolivre.pt). Para tal, deve realizar todos os procedimentos legais exigidos e orientar todo o processo de ensino tendo como referência os programas nacionais e as Metas Curriculares de cada área curricular disciplinar e não disciplinar.
No final de cada ano letivo, o encarregado de educação deve ter em linha de conta que, os estudantes em regime de Ensino Doméstico estão sujeitos a avaliação no final de cada ciclo (de acordo com a legislação em vigor).
Sobre este tema surge-me apenas referir uma ressalva pessoal, lembrando que, é muito importante para quem cresce a interação contínua com crianças e jovens da mesma idade, promovendo-se assim um desenvolvimento emocional e social imprescindível a um crescimento saudável. Portanto, quando o estudante se encontra em regime de ensino doméstico, estas situações devem ser promovidas e geridas com especial cuidado.
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Acho que em Portugal ainda é um sistema muito pouco utilizado, eu acho que é muito relevante para a educação e crescimento duma criança a iteração com os seus pares. Mas de facto para quem tem uma vida nómada é a única maneira de ensinar com alguma ligação ao sistema de ensino praticado em Portugal.
É mesmo! Obrigada pela opinião!
A mim mete-me muita confusão esta modalidade, será que conseguem ter o mesmo aproveitamento? Será que não se habituam a ser livres sem as regras que há no ensino? Será que não faz falta a interacção, com a turma e professores. Eu ainda não consigo ser a favor nem sei se algum dia me convencem.
Da minha experiência, no contacto com estes estudantes, sei apenas que eles sentem falta da escola em vários sentido… Mas cada caso será um caso…
Claro… mas acho que lhes faz falta este contacto, mas claro os pais lá saberão o que estão a fazer… ou não 🙂
Já pensamos nisso para a nossa família por diversas vezes. Existem grupos de mães/pais que optaram pelo ensino doméstico e que semanalmente fazem uma vista de estudo conjunta e um trabalho/actividade de grupo de forma a promover o “grupo” que é muito importante para o desenvolvimento das crianças. Nas famílias com muitos filhos penso que se torne mais fácil. Já filhos únicos e a estudar em casa penso que se torne mais complicado. Infelizmente o nosso modelo de ensino ainda é muito a promover que todos sejam iguais…o que não me agrada de todo. Por outro, o separar a casa da escola é algo que do meu ponto de vista é muito benéfico! Conviver com pessoas diferentes desenvolve muito as emoções e a empatia, ensina a viver em sociedade com pessoas diferentes de nós. 🙂 Tudo tem a sua parte boa e menos boa.
Excelente reflexão!!!
Obrigada pela visita e pela partilha!!!!