O Governo Português considera reorganizar o 1º e 2º ciclos de ensino básico, ou seja, entre o 1º ano e o 6º ano. Na prática a ideia parece ser a de fundir o percurso num só.
Atualmente os alunos seguem até ao 4º ano de escolaridade numa mesma escola e com um único professor para todas as disciplinas base: Matemática, Português e Estudo do Meio. No 5º ano, mudam de escola e o leque de disciplinas aumenta consideravelmente, sendo que, para cada disciplina há um professor definido.
Segundo o atual Ministério da Educação – ano de 2026 – esta passagem entre o 1º ciclo e o 2º ciclo é abrupta e necessita de maior continuidade.
Neste sentido, a proposta do Governo poderá passar por criar uma maior continuidade pedagógica entre estes seis anos letivos, o que levará a uma revisão curricular de aprendizagens, de horários e, não menos complexo: uma mudança organizacional das escolas e dos docentes.
O atual Ministro da Educação referiu, em público, que estas mudanças deverão entrar em vigor já no ano letivo de 2027/2028. No entanto, surgem ainda dúvidas sobre questões muito práticas e pertinentes; como a continuação de monodocência; o real impacto nas aprendizagens das crianças e a pertinência de uma alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo.
Embora seja muito prematuro construir uma opinião concreta sobre um assunto ainda pouco definido. Confesso que me surgiram algumas questões, iguais à da grande parte da sociedade:
– Estarão a pensar numa estratégia puramente pedagógica, ou procura-se cabalmente resolver a falta de docentes nas escolas? Estaremos perante a vontade de prolongar o ensino primário e de limitar as aprendizagens? Ficarão seis anos escolares a cargo do um único professor, mantendo o regime de monodocência?
Se estivermos sobre a pretensão de manter um único professor para estes seis anos, não será um desafio demasiado arriscado? Senão vejamos: as disciplinas de 2º ciclo são mais técnicas por isso a necessidade de professores diferentes com saberes, conhecimentos e práticas específicas. Além disso, se a relação pedagógica entre aluno e professor for fraca, o aluno fica limitado a este mesmo modelo, durante seis anos consecutivos. E quem recebe toda esta sobrecarga burocrática e pedagógica voltará a ser o professor??…
Pelo contrário, os defensores da monodocência, argumentam que a estabilidade afetiva, nestas idades, pode melhorar as aprendizagens e o conformo no dia a dia escolar. Além disso, o professor conhece melhor cada aluno, as suas características e potencialidades e poderá também realizar uma maior integração entre as disciplinas.
Este não é o momento para me posicionar sobre este assunto, torna-se importante apenas informar as famílias sobre tais possíveis mudanças… para que exista uma profunda e atempada reflexão sobre o assunto! Já que 2027 está quase, quase aí!!!


Grato pela partilha. Espero que não se fiquem pela monodocência.
Bom resto de semana.
Grata pela visita!!
De facto também não me parece a melhor estratégia.
Beijinhos!🌻
É sempre bom ter alguém a informar-nos de assuntos como este. Obrigada! Já não me tocará a mim como mãe e confesso que não sei o que pensar disto, porque a preparação pedagógica para professores de 1.º ciclo e professores de 2.º ciclo é diferente, assim como é diferente para professores de 3.º ciclo em relação aos de 2.º ciclo e por aí adiante… não creio que esta alteração a ser implementada tão cedo sem primeiro uma análise e avaliação profundas, combinada com possível ensaio, vá ter grande sucesso, sobretudo para os alunos que, mais uma vez e sempre, serão as cobaias que sofrerão as consequências menos desejáveis… não acredito nas alterações implementadas “às três pancadas”!! Normalmente, geram muita confusão porque os programas revistos também serão alterados em cima da perna, portanto, “às três pancadas”. E sei que as editoras dos manuais e seus autores também farão tudo a correr e, claro, mais uma vez, “às três pancadas”. Oxalá não venha a ser assim, e que a coisa até corra bem! 🙂